domingo, fevereiro 25, 2007

Ia começar com "Sábado à noite...", mas não, já é Domingo. Portanto, Madrugada de Domingo, e cá estou eu, com os meus kleenex (parece que até as experiências misticas têm consequências), as minhas agulhas e a minha playlist. Que decadência! Até Bonnie Tyler já ouvi, mas só porque o meu Before Sunset se recusou a funcionar. O despertador já está activado, devia estar em sono REM, mas parece que ele não se quer instalar. E porquê?! Por causa do Tempo...
A journey across the time... Time travelling... Já não sei que nome dar a isto.
E porquê?! O nosso tempo, o tempo dos outros, o tempo do mundo, o tempo das escolhas... São tempos diferentes que nunca param de correr! Podem cruzar-se, ou então não. É difícil fazer escolhas, perceber o que queremos, encontrar a forma de o fazer.... Mas quando já temos tudo na mochila, os outros tempos não estão em sintonia... PORQUÊ?
Sinto-me como uma criança na escola. A professora pede para fazer um trabalho, mas é demasiado complicado, ela não percebe, pede explicações, faz várias tentativas, rasga as folhas, começa de novo, leva o seu tempo... E quando acaba, salta da cadeira "Professora, já acabei!!"... Mas o resto da turma já vai 10 lições à frente e ninguém presta atenção ao sucesso do aluno... Foi fora de tempo. O que adquiriu já não se enquadra naquela realidade. Simplesmente, deixou de ter utilidade.
Boy
It's time for forgiveness
It's time for relief
It's time that we've wasted
And it's time that we need
It's time for decision
It's time to be brave
It's the time of your life
Don't let it slip away
Boy
You'll be running but can't get anywhere
Don't carry the weight of the world, boy
It's time that we borrow
And it's time that we bleed
It's time that will cure us
You just gotta believe, yeah
There's a warning up ahead
The alarms gone off again
But the sun will fill the sky, fill the sky
Boy
You'll be running but can't get anywhere
Don't carry the weight of the world
And boy
Help is coming I'll get you out of here
Don't carry the weight of the world
The weight of the world
And the weight of the world
Just when you think you're done
The war can never be won,
I, I'll be there to pick you up
And dust you off
And bring you home
And make you feel loved
Don't carry the weight of the world
And boy
You'll be running but can't get anywhere
Don't carry the weight of the world
And boy
Help is coming, I'll get you out of here
Don't carry the weight of the world
The weight of the world
And the weight of the world
The weight of the world
And the weight of the world
And tonight is a fireball
And tonight oh you're not alone
And tonight we start again
Tonight oh the best is yet to come
Our Lady Peace, Boy

sábado, fevereiro 24, 2007


As pessoas não se lembram de ter visto o mar como hoje… As vagas, gigantes, avançavam apressadas e altas, para rebentar com toda a força logo antes das falésias, erguendo-se muitos metros no ar, quais géisers, à nossa frente! Por todo o caminho, do Guincho a Cascais, se viam prédios de espuma branca que nos faziam sentir pequenos, na nossa condição humana. Os rugidos de Posseidon ecoavam na noite enevoada e fria. Não pude deixar de me aproximar dos jactos de água e olhá-los de baixo, deste meu corpo que habito, apercebendo-me da pequenez de tudo o resto! E o mundo em redor desapareceu e era já só eu e o bramido das vagas que vinham suicidar-se nos penhascos, elevando-se nos céus do quarto crescente. Segundos de espera entre os corpos de água que encorpavam à medida que a maré enchia, um novo urro, um sssshhheeeee da água que voltava ao seu curso… Um nada que somos e um tudo do resto que é. Se uma experiência mística é a anulação do ser, acho que não precisei de substâncias para a conseguir.

Mais um lugar e um momento, que é meu e não é de ninguém, porque eu vivi-o mas deixei de existir, o meu corpo desapareceu, os meus limites confundiam-se com os do céu e do mar, deixando de saber se estava lá alguém mais, além do ser pensante que me sou.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Hoje estou “fogo e noite”, estou “cada vez mais aqui”… À parte disso, serei sempre um “Nada”… Tento partir a “Casca” porque a minha vida é um constante “Ensaio” como uma casa assombrada. Sou o “Sangue que ficou”…

Silêncio, lua, casa, chão.”

Sei ver o sol nascer”, sei ser o que sou no meio das rotinas e convenções, mas no entanto “era eu a esconder-me do que não se dizia”… “Talvez confiar? Esperar?” Mas agora “sem mais contos de embalar”!


Queres lutar com quem?

Para doer aonde?
Para ser o quê?
Achas que ninguém vê?...

E p'ra quê fingir?
Porquê mentir e remar na dor?
Achas que ninguém vê?...

Também eu queria parar...
chorar...
cair...
p'ra me levantar,
p'ra te puxar!
Te fazer sorrir,
não voltar a cair!...

Não me olhes assim,
continuo a ser quem fui!
Cada vez mais aqui...
Não dances tão longe,
que eu já te vi...

Também eu queria parar...
chorar...
cair...
p'ra me levantar,
p'ra te puxar!
Te fazer sorrir,
não voltar a cair!...


Porque hoje acordei a cantar “Eles dizem que é melhor falar e vão falando pra ninguém ouvir! No fim tu sabes onde me encontrar, traz coisas pra destruiiiirr” mas rapidamente Pluto deu lugar a Toranja que é um bom presságio no início do dia…. Pelo menos é mais publicável do que o texto da noite com a Alanis… Mas com essa aprendi que por vezes tenho que ficar nas minhas “Tamanquinhas”, apesar de achar que preciso de mais espaço do que aquele que um 36 me pode oferecer.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

.
.
He’s just a boy
To big for his clothes
With those dreamer’s eyes
Wishing the stars
Sitting on the moon
Fishing my bad dreams…

.

.

.

[modelo e assistente da fotografia :P Zé Pedro]


quarta-feira, fevereiro 14, 2007

O Carmo... e a Trindade
Como começar!? Pela parte boa ou pela má? E que tal pelas duas?! Afinal, a ambiguidade é minha amiga e não há bom nem mau, só bom&mau…

Finalmente fui ao Carmo. O dia estava exactamente como eu desejava, sol, calor, céu azul. Fui passear com a minha amiga, brincando sobre as lamechices do dia, apanhando um solinho, observando as lojinhas alternativas e os músicos de rua. As ruínas não me surpreenderam, era tal e qual eu esperava! Afinal as pilhas não estavam a acabar e as fotos não ficaram nada mal, tendo em conta as limitações da luz e da conhecida HP. Observei, senti, fotografei, sentei-me nas escadas a conversar esperando que a visita guiada saísse para poder fotografar mais. Deitei-me no chão para ter melhores ângulos, rodopiei e fiz rodopiar para a objectiva, fotografei camones a seu pedido, apesar de não terem percebido porque os mandei para um sítio com sol! Subi o elevador, a tremer, gritando a cada degrau, mas fotografei Lisboa lá do cimo, tal como pretendia. Ouvi vários “obrigados” de alguém a quem não ajudei… Ou então um sorriso já é o bastante para um agradecimento. Fiz tudo o que queria, como queria e em boa companhia.




Mas isto é “bom!”, pensará qualquer leitor.

Sim, é bom, mas seria realmente bom não fossem as palavrinhas na cartinha que iam dentro do saco. Não fosse a sensação de impotência perante aquelas frases, não fossem as dúvidas do que trará o futuro, não fosse o “era mau, e ainda ficou pior!”… E contudo, aqueles minutos foram meus e rodopiar no centro de tão imponente formação, faz-nos sentir que tudo é possível, afinal foi o homem que construiu tudo aquilo! Há uma sensação de pequenez também, mas não a mesma que se sente perto de uma cascata, no alto de uma serra ou numa falésia num dia de mar bravo. É diferente porque o termo de comparação foi construído pelo homem, destruído pela natureza, reconstruído pelo homem, inacabado por opção do homem. Ali havia opção. Ali era possível. E no entanto o papel continuava no bolso. Mas o bom dos lugares mágicos, é nos fazerem roubar minutos ao tempo, às suas preocupações e impossíveis.

De volta a casa, o papel continuava a pesar no saco. Cada vez mais pesado. Cada vez maior.






sábado, fevereiro 10, 2007

Someone to diieeeee for

Before you landed
I had a will but didn't know what it could do
You were abandoned
And still you're handing out what you don't wanna lose
You make me drop things
Like all the plans I had for a life without you

Someone to die for
Someone to fall into when the world goes dark
Someone to die for
Someone to tear a hole in this endless night
Someone like you

I'm drunk when sober
The room is spinning
You are what I hold on to
You're taking over
I find that giving in is the best I can do

Someone to die for
Someone to fall into when the world goes dark
Someone to die for
Someone to tear a hole in this endless night

Someone
Someone
Someone like you


Chris Cornell

[Photo by Xia]

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Devia ser ruiva e com caracóis.

Uma das vantagens de andar a pé à chuva e sem um horário a cumprir, são as ideias que nos ocorrem à mente. E hoje ocorreu-me que devia ter nascido ruiva e com caracóis!
Isto já para não falar da altura… Sim porque eu sinto que sou uma amazona com 2 metros de altura (como a Shutterbabe dizia no seu livro) e não passo de uma meia leca que não impõe respeito a ninguém.

Realmente, um corpo não diz, por si só, quem nós somos, no entanto, ao longo da nossa vida vamos aprendendo a associar certos tipos de características a traços de personalidade. Alguns, são provavelmente influenciados pela própria pessoa, como uma boca desenhada para baixo :( ou para cima :) , resultado das expressões faciais mais usadas; um andar erecto com a cabeça erguida ou mais acabrunhado, respectivamente, uma pessoa segura, firme, ou, por outro lado insegura ou deprimida. Mas há certos traços que nada dizem por si só, e que no entanto associamos a isto ou aquilo.

Não sei se convosco acontece, mas eu sinto que o meu corpo não expressa minimamente aquilo que sou (não, não quero mudar de sexo). A nossa personalidade evolui, mas não o nosso físico. Se evoluísse, eu passaria certamente da meia leca morena de cabelos lisos (lisos, por favor!!) e castanhos, para a ruiva de caracóis e com uma altura aceitável. Não é capricho. Simplesmente acho que tenho um formato demasiado convencional para aquilo que me sou! Cabelo liso esticadinho não fica bem quando ando aos saltinhos ou a cantar pelas ruas. Por outro lado, considero-me uma pessoa séria, sei o que quero (ou quando não sei, tenho plena convicção de que não sei!), sei dizer “não”, e depois não me levam a sério (“já tem carta de condução?!”). Claro que isto é muito potenciado pelo facto de falar de baixo para cima! Nunca ninguém conseguiu ganhar com um argumento, falando de baixo para cima (excepto talvez a Tia de dedo esticado para o abade…). Mas agora até já tenho umas botas de salto! E também já tive o cabelo vermelhinho, só ainda não tenho os caracóis, mas isso também se arranja. Mas devia ter nascido já com estes genótipo, e depois, pela acção da experiência transformava-se em fenótipo… Não?! Vou deixar de andar à chuva. Só ideias parvas… Preciso de Férias!!! E de ser ruiva, com caracóis e mais de 1metro e 70!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

E se o mundo tivesse um botão de self-timer?!


Dei comigo a pensar nisto hoje. Os nossos olhos são câmaras fotográficas de grande formato. As nossas lentes captam a realidade à nossa volta, com mais ou menos zoom, maior ou menor ângulo, mais ou menos detalhe. O nosso fotómetro por vezes engana-se e vemos as coisas mais escuras ou então obtemos imagens sobre-expostas. Podemos captar os acontecimentos com maior ou menor velocidade de obturação, consoante olhamos as cenas de forma mais dinâmica ou mais demorada. Podemos ainda centrar-nos num determinado aspecto da vida, mais próximo de nós, desfocando tudo o que fica em pano de fundo, ou, pelo contrário, abranger uma grande profundidade de campo. Além disso, podemos pôr no automático e seguir as convenções, focar como todos os outros focam. Ou podemos ser ligeiramente mais específicos e usar modos para cada situação: pessoas, movimento, paisagem, close-up

Penso então, porque não vimos equipados com uma função de self-timer?! O mundo não tem essa função. Isso tem uma série de implicações.

Primeiro, vemos o mundo de fora. Simplesmente não nos podemos observar a nós próprios sem estar neste corpo que temos que carregar para todo o lado. Sem que alguém nos fotografe ou filme, condições já de si filtradas e pouco naturais, não podemos ver-nos a nós no mundo, de forma neutra. Um self-timer dar-nos-ia tempo suficiente para nos afastarmos da câmara e colocarmo-nos na nossa imagem do mundo.

Seria igualmente útil poder programar o tempo de espera para o “momento decisivo” que neste caso não seria “decisivo”, tal como “decide” Cartier-Bresson, pois não teria a componente espontaneidade. De qualquer forma, poder programar o tempo para aquela situação específica seria uma grande vantagem. Quantas vezes somos confrontados com decisões urgentes, escolhas imediatas e reagimos impulsivamente, nem sempre da forma mais adaptativa?! Ora, se tivéssemos um self-timer no nosso painel de controlo, poderíamos programar essas decisões para dali a 10 segundos, corríamos, arranjávamos o cabelo, a pose, Click!

Quando as cenas são demasiado escuras, um self-timer é do melhor! Tripé, programa-se, foca-se, click! É que temos tendência a tremer e quando a vida é mais negra, é coisa que não se pode fazer! É preciso tempo para apanhar a luz. É preciso parar, concentrar, esperar… E com longos tempos de exposição exigidos por ambientes muito escuros, sem self-timer não conseguimos uma imagem nítida.

Se além do self-timer incorporado, o mundo per se tivesse essa função, poderíamos controlar o nosso tempo e também o das outras pessoas que partilham connosco a vida. Podíamos largar o nosso corpo e voar em lugares mágicos, como o homem do Último Voo do Flamingo que pendurava o esqueleto de noite para poder sonhar sem o peso dos ossos… Não teríamos que nos preocupar com as responsabilidades porque o tempo estaria parado durante aqueles 30 segundos… Viver sem o fardo material e sem preocupações do que há para fazer, ainda que durante poucos segundos, deve ser a maior sensação de liberdade. Não haveria impossíveis. Aqueles segundos eram nossos, podíamos fazer deles o que quiséssemos. O mundo não iria saber. Dali a 30 segundos voltava ao que era e não dava por nada. Não tinha que haver escolha. Se duas coisas são incompatíveis -> self-timer -> faz-se a que poderia ser mais estranha ao mundo -> 30 segundos -> vida “normal”.

Ando a ver filmes a mais?! Ficarei um dia como a Avó Morte?! Não sei… Sei que este espaço-tempo não me chega! Não caibo nele! Estrangula-me as asas! Quero voar!

E tudo isto por olhar para esta foto que o menino me tirou, num momento inventado do tempo, no meio de sebentas e artigos, enquanto eu procurava literalmente o self-timer

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Polvinho!


A maioria ficou fã do Nemo, quanto muito da Azul... Eu sempre gostei do polvinho!!!
E aqui está ele! =)

domingo, fevereiro 04, 2007

Vai


Um abraço rápido
Uma carícia breve
Umas mãos que se desenlaçam.
Passos rápidos para o veleiro de onde já chamam.
Não sabes tu,
Como no meu peito se cravam punhais de gelo ao ver-te partir…
E pensar que o teu caminho passaria por mim…
Mas não.
Deixei-te ir.
Não, não deixei!
Só se deixa quem está em posição de ser deixado.
E tu não.
O meu coração deixou-te partir.
Voltas-te para mais um aceno.
Sorrio e retribuo com mais energia do que aquela que realmente tenho.
Gritam por ti.
Apressas o passo.
“Vai!”
Está certo, tudo no mundo está certo.
Abraças os teus companheiros de viagem.
Vai ser uma longa jornada.
Pousas os sacos, agarras o corrimão e levantas a tua cabeça ao vento.
Está tudo pronto para começar.
Toca o sinal.
Acenas-me.
Mas as lágrimas já correm pela minha face.
É tão longe que não podes ver.
Não queria que visses.
Sorri quando decidiste.
Procurei mapas contigo.
Passamos horas com planificações.
E aqui estou eu na despedida.
Vais ser feliz, eu sei.
Solta as amarras.
E os punhais cravam e rodam dentro do meu peito.
Não vou deixar morrer os teus poemas, as tuas imagens, as tuas canções.
Tudo o que és viverá em mim.
O meu amor será teu para sempre, como sempre foi, como é agora.
Ainda que essa viagem te leve necessariamente a outros braços.
Escolheste-os.
Está certo portanto.
Os meus estarão sempre aqui abertos para ti,
Quando quiseres visitar as origens.
Talvez já tenha eu partido para a minha jornada.
Mas os meus braços estão contigo onde fores.
O meu olhar vai estar impregnado do teu olhar,
E o teu do meu, certamente…
Partilhámo-lo.
O meu amor é teu.
Nunca to disse.
Quero saber-te livre.
Quero que faças as tuas escolhas.
Quero que sigas o teu caminho.
Dizer-to era apertar-te uma asa.
De cada vez que voltas aqui, partes confuso.
Egoísta.
A tua presença é em mim a luz no abismo.
Egoísmo.
A minha é para ti a escuridão do incerto.
Oh, mil vezes egoísmo.
“Vai!”
O veleiro é já apenas um vulto no horizonte.
E uma parte de mim vai com ele.
Não quero que deixes nada.
Quero-te livre e feliz.
Tenho-te mais do que qualquer pessoa possa algum dia ter,
Porque te deixei partir.
“Vai!”
Os gritos das gaivotas,
A chuva a cair na terra,
As ondas do mar rebentando nos rochedos,
O crepitar da madeira na velha lareira,
E todos os sons da natureza
Serão recordações.
Lembrança da tua voz calma,
Do teu sorriso tímido,
Do teu olhar acolhedor,
De ti.
Dizer-to ia fazer-te parar no caminho.
Não quero influenciar escolhas.
Escolheste outro olhar, outras palavras, outros braços.
“Vai!”
E no entanto tudo isso continua aqui para ti,
Com a diferença de que já não espera.
Solta as amarras do pensamento.
Corre numa praia deserta ao nascer do sol.
Sobe uma montanha e senta-te no cume ao poente.
Escreve o teu livro no banco do jardim de uma grande cidade.
“Vai” e surpreende-me com um postal daqui a uns anos.
Caminha com o teu mais alto sentido de verdade,
De braço dado apenas com a liberdade,
E pára apenas para olhar uma paisagem
E nunca para ficar.
“Vai!”
O meu amor é uma vela acesa
Mas que de nada serve se não a podes ver.
Resta-me desejar-te
Boa Viagem.
Até sempre.
“Vai!”




[com uns pozinhos de Bittersweet de Within Temptation e um cheirinho de Ausência de Vinicius de Moraes]


Acabei de chegar do teatro... Ainda tenho as luzes, os panos, as palmas, as vozes, tudo, dentro da minha cabeça. Que mundo mágico este que ao soltar os panos finais, solta-nos também, à nossa sorte, para o precicipio das nossas mentes... O Sonho... O Sonho... Dormir...As personagens dançam num cenário imaginado onde os panos escorrem dos céus e acolhem os loucos, escondem os cínicos, testemunham a tragédia. Sonhar... A vida é irónica e tudo culmina no sono. Dormir.

Inevitável deixar aqui alguns dos excertos que mais me marcaram e que não foram difíceis de encontrar...

"Ser ou não ser... Eis a questão.
Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes? Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se. Morrer..., dormir... dormir... Talvez sonhar... É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando alfum desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos. É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois que suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte - terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou - que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados? De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem." Ato III, cena I

"Se fôsseis tratar todas as pessoas de acordo com o merecimento de cada uma, quem escaparia da chibata? Tratai deles de acordo com vossa honra e dignidade. Quanto menor o seu merecimento, maior valor terá nossa generosidade." Ato II, Cena II

"...conhecermos bem uma pessoa, é conhecermos a nós mesmos." Ato V, cena II


"Um grande amor nos sustos se confirma".


"As coisas em si mesmas não são nem boas nem más, é o pensamento que as torna desse ou daquele jeito".


sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Mochinho meu!! =)
Deu uma trabalheira, mas no fim percebi que havia outras formas de fazer, e talvez mais simples. Os próximos sairão melhor!!
Este vai já para o casaco!

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

"Procura-se um Amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaros, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. (...)

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive."

Vinícius De Moraes


Encontrei este texto enquanto procurava citações para colorir o meu trabalho, que ainda só tem uma página, mas terá mais.
De facto, os amigos são as pessoas com quem partilhamos os pequenos orvalhos da vida e assim, sentem e vivem connosco, mesmo quando não estão realmente ali perto de nós.
Por norma não gosto de definições, e tenho muitas críticas a apontar a esta, principalmente pelo "dever" implícito numa relação em que o único "dever" é não dever nada a ninguém e apenas Ser e Estar. Além disso, o amigo não precisa de gostar das mesmas coisas, pelo menos não de todas, e não tem que fazer "parar de chorar", pelo contrário, pode muito bem estender-nos um lenço como quem diz "aqui pode-se chorar, leva o tempo que quiseres."

É nos momentos em que o mundo parece que vai desabar, porque a vida que julgavamos controlada nos prega partidas, que damos mais valor a estas pessoas. Solto uma gargalhada. Lembro-me dos posts antigos, pedia para ser, para criar, para que as minhas responsabilidades para com a sociedade não me impedissem de percorrer o meu caminho para a realização. Recordo a pirâmide das motivações em que a Realização Pessoal vinha no topo, depois de todas as outras necessidades, e com toda a razão. Porque quando nos falta um desses alicerces, a Realização deixa de ver vista como um objectivo imediato e outras motivações se impõem. E essa mesma sociedade, esse mesmo sistema que me atava os pés quando eu queria correr, tem uma parte de culpa pelo que está a acontecer.
Sim, temos a maior árvore de Natal da peninsula ibérica, tivemos o euro e vamos ter um TGV e outro aeroporto, mas os tijolos básicos, como os serviços de saúde, continuam a não funcionar.

Ainda assim, o raio da sociedade e as suas convenções, a treta do sistema e das prioridades do estado, tudo isso pode faltar se tivermos perto de nós pessoas a quem possamos chamar de Amigos que nos digam que vale a pena viver mas não necessariamente porque a vida é bela.

Asas cortadas, aqui vou eu em queda livre para a incerteza do que me espera.