domingo, abril 05, 2009

Sou bastante sensível a ambientes. Daí surgem as minhas mudanças frequentes de humor e também a já falada necessidade de me sentir em “casa”. Assim, os lugares assumem uma grande importância pela sua capacidade de me fazerem sentir parte ou não.
Hoje descobri mais um lugar onde sinto pertencer.
Este.
E até já tenho a promessa da reprodução de alguns destes factores, daqui a uns anos, no nosso jardim…

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Eis o que sou. Um corpo sentado no chão da praça de uma grande cidade. Olhos fechados que segregam os estímulos, olhos que se abrem para captar a essência dos momentos. Membros que se articulam para medir a luz em simultâneo com a escolha do enquadramento final… um com o poder de fazer sobressair as raízes daquele lugar. O chão, as pessoas que se movimentam a passos mais ou menos rápidos à minha volta e que mais ou menos dão pela minha presença, o Sol que me aquece, a certeza de que estás na outra ponta da rua a sentir o mesmo, a verdade absoluta de que sou real e que há um sentido.
Agradeço os dias repletos da arte que grita para ser vista; recordo as conversas que agitaram a matéria para a/me transformar em algo melhor; reflicto sobre o que me sou. Concluo que afinal ainda aqui estou e que é preciso um esforço imenso para manter este sentido ao voltar a “casa”. E para quando uma casa?
Enfim… estes últimos dias deram-me mais uma.
Obrigada Madrid.


quarta-feira, janeiro 07, 2009

Só me lembro de ter sentido algo como isto numa situação como esta, há exactamente seis anos atrás. Muito mudou desde então, eu mudei também, mas sensação de não pertencer a lado nenhum é horrivelmente a mesma. Porque hoje é um dia importante e estou sozinha. Completamente sozinha num abismo de onde só eu posso encontrar uma forma de sair. A cada momento que passa as forças abandonam-me. Culpo-me por não me debater. E se me apanho a aproveitar um pequeno momento de felicidade, logo me culpo por acreditar nessa ilusão. Arrependo-me e torturo-me por estar a saborear uma futilidade. Sinto-me a corroer por dentro. Culpo-me também por me permitir este estado quando alcancei muitas das coisas que queria, como se fosse mal agradecida a mim mesma. Já nem consigo detectar o que realmente está mal, já nem consigo perceber o que devo fazer e o que devo fazer primeiro. Sei que é preciso mudar, mas não sei para onde. E porque é que as coisas que me fazem sentido só brilham por um instante e segundos depois desvanecem-se dando de novo lugar ao negro?! E porque razão não me deixo simplesmente levar quando me oferecem ajuda?! Talvez isso queira dizer apenas que tenho alguma força para mudar sozinha… Ou então, é somente sinal de que me vou afundar sozinha. De uma forma ou de outra, eu sou causa e consequência do que se passa em mim mesa. E simplesmente, não consigo sair de onde estou como mosca que cai na teia e mais presa fica à medida que se tenta soltar. A noa notícia é que a teia não arde… but “if there’s nothing left to burn, you have to set yourself on fire”.
Pelo menos consigo imaginar exactamente onde queria estar neste momento. Não que isso resolvesse alguma coisa, mas pelo menos aliviava este cansaço existencial. Momentaneamente. Para logo de seguida voltar a culpa, o desânimo e mais não sei o quê que me corrói. Mas neste momento, nem isso.
É quase meia-noite e as únicas palavras que fazem sentido são, mais uma vez:

(…)
Estou só, só como ninguém ainda esteve,
Oco dentro de mim sem depois nem antes.
Parece que passam sem ver-me os instantes,
Mas passam sem que o seu passo seja leve.
Começo a ler, mas cansa-me o que inda não li.
Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir.
O sonho pesa-me antes de o ter.
Sentir.
É tudo uma coisa como qualquer coisa que já vi.(…)
(Álvaro de Campos)