sexta-feira, setembro 29, 2006

Já tinha mencionado esta música num post, já me lembrei várias vezes de lhe dar um lugar de destaque neste blog... Hoje foi o dia.
Adoro a versão dos Toranja da "Chaga", senti toda a sua força quando o Tiago a cantou, aos saltos no meio do público, no concerto do Casino e a música continua a fazer-me companhia, no carro, quando a sinto cá dentro e me apetece gritá-la ao mundo!
O que aconteceu ontem à noite funcionou como gatilho... Vá se lá saber porquê, o maluco do Alvim resolveu passar Chaga e enquanto isso, duas pessoas entram em extase e desatam a saltar e a gritá-la... Foi mais forte do que nós... Soube bem, apesar de aparentemente ninguém ter percebido o proquê de tanto entusiásmo...

Assim, e como hoje é Dia dos Solteiros (Orgulho CEP!!) aqui fica....

Chaga

foi como entrar
foi como arder
para ti nem foi viver
foi mudar o mundo
sem pensar em mim
mas o tempo até passou
e és o que ele me ensinou
uma chaga pra lembrarque ha um fim
ahhhhh ahhhhh ahhhh

diz sem querer poupar meu corpo
eu ja nao sei quem te abraçou
diz que eu nao senti
teu corpo sobre o meu
quando eu cair, eu espero ao menos
que olhes para tras
diz que nao te afastas
de algo que é também teu
nao vai haver um novo amor
tao capaz e tao maior
para mim será melhor assim
vê como eu quero
eu vou tentar
sem matar o nosso amor
nao achar que o mundo é feito para nós
ohhh ohhh ohhh
aahhhh aahhhh aaaaahhhhh

foi como entrar
foi como arder
para ti nem foi viver
foi mudar o mundo sem pensar em mim
mas o tempo até passou
e és o que ele me ensinou
uma chaga pra lembrar que ha um fim
ahhahh

uma chaga pra lembrar que há um fim



Feliz dia dos Solteiros!!!
O meu não podia ter começado melhor! :P

terça-feira, setembro 19, 2006


Porque às vezes temos vontade de voltar ao mundo das crianças, àquele espaço onde pudemos sonhar e acreditar, onde os bons vencem sempre os maus e vivem felizes para sempre… Por isso tudo, deixo-vos hoje um excerto da história de um menino, como tantos outros meninos, que tem um mundo inventado por ele… Apresento-vos o Afonso!


“Logo debaixo do céu grande, cheio de azul, salpicado de estrelas e mistérios, habita outro céu, pequeno, com estrelas e meias-luas que afastam para bem longe os papões sem cara dos pesadelos do Afonso.
- Este céu é só meu porque me vê adormecer por cima da cama. As estrelas deixam cair um pozinho mágico e pesado em cima das minhas pestanas, assim como uma espécie de areia, sabes!?
- E do outro céu, aquele que é de todos nós, tens medo?
- Só quando fica escuro com cara de zangado, mas quando está bem azul gostava de lá mergulhar como no mar. Tenho a certeza de que se me portasse bem, podia trazer uma estrela no bolso.
[…]
-Gostas de nuvens?!
- Sim, eu até já andei numa, só não sei se foi em sonho ou não. Era muito quentinha, macia e conhecia bem os cantinhos do céu porque me levou a um planeta onde estão todos os balões coloridos que fogem das mãos dos meninos da Terra. Encontrei lá o meu com cara de Pinóquio!
-Afonso, para mim, imaginar não é mentir, é viver com mais força. E para ti, o que é imaginar?
- É meter coisas e pessoas dentro da cabeça. Elas mexem-se, falam e cantam. Se calhar imaginar é andar de baloiço na Lua a olhar para as estrelas que o Sol passa a vida a elogiar: “Vocês são as minhas sereias”, diz ele.
[…]”

Se reinventamos a realidade diariamente, porque não fazer uma história bonita?!

É quando nos falta a esperança e quando nos cortam as asas que nos lembramos de como é bom ser criança….


[Excerto retirado do livro “Os Meus Olhos de Afonso” que faz parte da colecção da Fundação Gil que por sinal já está a acolher crianças que necessitam de cuidados médicos pós-hospitalares =) (Photo by me, como sempre)]

segunda-feira, setembro 18, 2006



Porque é que os números nos roubam os sonhos?!



sexta-feira, setembro 08, 2006


Passamos a vida a aprender como se vive, e depois, quado já sabemos, morremos...

quarta-feira, agosto 23, 2006

Felicidade....


(Plaza Maior - Salamanca)

Hoje recebi um Forward com um nome suspeito e pensei “lá vêm as lamechices e as filosofias de 3ª categoria…” que insistem em me enviar (mesmo mais do que uma vez na mesma pessoa, porque as correntes não são para quebrar, senão há 7 anos de azar e mais uns 20 sem sexo e o periquito morre) para contribuir com spam e outras coisas piores para o ciberespaço. Mas hoje abri o .pps e dei o benefício da dúvida, como não havia lá nenhuma palavra com “D” maiúsculo no meio das frases iniciais, li-o mesmo todo… Dispensava-se a musiquinha com pretenso efeito “cebola brava” e o contra-luz manhoso da imagem de fundo, mas o conteúdo, nem era mau de todo (apesar de lembrar “manual para atrasados mentais andarem contentinhos” de autores com nomes de roedores).

O texto centra-se na ideia de que Ser Feliz não é deixar de ter complicações, problemas, adversidades, deixar de sentir tristeza ou preocupação, mas sim, saber lidar com isso de cabeça erguida e um sorriso na cara [lembra-me o livro: “Uma Viagem Espiritual” de Nicholas Sparks – e não, não tem o estilo pseudo-lamechas que caracteriza o autor – e Billy Mills (já agora, onde para o meu?)]. Tenho falado com pessoas (ingénuas) que continuam a achar que não podem ser felizes porque ainda não têm isto ou aquilo, porque têm problemas (quem os não tem?), porque não conseguem ter o que querem… A Felicidade não tem que estar num fim a atingir, mas também no caminho.

Alguns diapositivos depois, o mail dizia assim:
“Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se no autor da própria história.”

O que me lembrou a frase que há anos tenho colada na minha cortiça, escrita num post-it amarelo, já meio esbranquiçado, e tirada já não sei de onde: “Um dos segredos da Felicidade é saber criar condições para que a vida dependa de nós.” (Roberto Shinyashiki??)

Ora, o que têm estas ideias em comum?! E porquê um segredo? Bom, acho que só é segredo para quem não entende a vida como sendo feita por nós, para quem continua a achar que há qualquer coisa que manda nisto tudo, sendo as pessoas apenas marionetas… Ou então, pode ser segredo para quem vê passar a vida de longe sendo um mero espectador esperando que a sua vida aconteça no palco do mundo. Para todos os que se libertaram disso, não há segredo. A partir do momento em que nos tornamos conscientemente autores da nossa história, a vida depende de nós e assim estas frases sobrepõem-se completamente.

Ao escrevermos a nossa história, criamos as causas e os efeitos e só assim a vida é NOSSA, só assim se consegue atingir a Felicidade! Esse estado não se atinge porque isto aconteceu, ou alguém fez acontecer, até porque não depende de factores externos, apenas da vontade…

E depois de escrever isto (e entretanto apagar uma série de parágrafos que já falavam em livre-arbitrio e afins) parece-me tudo tão óbvio que já se torna numa filosofia de 3ª categoria… Leiam como quiserem, a mim faz-me sentido e é esta Felicidade que persigo, não uma mediania… Aliás, se há coisa que me irrita são “contentinhos”! Arre!


E como diria uma Prof. minha…
Façam o favor de serem Felizes!” =)

quinta-feira, agosto 17, 2006

Vou continuar a pôr por palavras os fragmentos mais marcantes destas férias Norte&Sul...

Continuando no Norte...

Bolas, como eu desejei um papel e uma caneta.... Porque é que quando vamos de férias deixamos estes objectos para trás, como se nos recordássem, penosamente, o trabalho dos outros dias do ano?! (Por causa disso, ontem alguém teve que anotar números de telefone com uma pedra...)
Nessa noite, a minha última noite no Norte, quando já me dirigia para casa, (prontinha para me atirar para a cama e dormir até à madrugada seguinte, altura em que apanharia o comboio e faria uma viagem até ao Algarve) ouvi uma música... Não era "Pimba" como se poderia esperar estando naquela aldeia, e também não tinha sido anunciado nenhum concerto... Gostei de ouvir, ao longe, mesmo sem conhecer a dita canção... Fui perseguindo o som, com a pressa de chegar à sua fonte sem perder mais nada... Era uma rapariga, um órgão, um rapaz e uma guitarra, uma bateria sem ter quem a tocásse, um candeeiro de sala, algumas pessoas sentadas à volta... Rui Veloso, uns originais, Lúcia Moniz, Mafalda Veiga...
A dada altura já tinha a minha priminha ao colo, agarrada ao meu pescoço e dançando ao som da música...

"Geme o restolho triste e solitário...."

Comecei a cantar, já com os olhos a encherem-se de água e a vontade enorme de gritar aquelas palavras... Contive-me ao ouvir um sussurro no meu ouvido... A minha prima estava a murmurar a canção que nem eu sabia que ela conhecia... Ficámos as duas a cantar e a dançar, abraçadas sob aquele céu azulão polvilhado de pontinhos amarelos cintilantes... Nem a propósito, passa uma estrela cadente...

"...a embalar a noite escura e fria..."

Esta música já atravessou várias fases da minha vida... Já esteve relacionada com várias pessoas... É sempre pior quando alguma coisa é simbolica para nós porque a associamos com alguém...
Quando já ia para casa, não querendo saber se dali a umas horas teria de estar a pé e de malas feitas, só me apetecia escrever porque me lembrei dum comentário aqui do blog no qual qlguém dizia: "as pessoas recusam-se a revisitar sitios, pessoas ou acontecimentos (fisicamente) que as marcaram por tão bons que foram, têm medo que numa segunda vez o momento não seja tão mágico." ... O que é certo é que não podemos preservar músicas e lugares como se fossem um souvenir que se guarda numa caixa trancada e não pode ser vandalizado. Há coisas que têm que ser revividas, noutras circunstâncias, ainda que queiramos manter memórias intactas! Isso não tem nada de mal! Senti menos a magia nesta noite, em que tinha a minha prima colada ao meu pescoço a cantar a minha canção, do que na noite em que eu e os meus melhores amigos gritámos o Restolho ao som da própria Mafalda?! Não me parece... Alguma memória ficou vandalizada!? Nunca...

"...E a perder-se no olhar da ventania..."

Será que era isto que teria escrito se há 2 semanas tivesse lá tido o papelinho e a caneta?! Talvez não... Talvez tivesse ficado muito mais forte... Mas ficou a necessidade de escrever que acabo agora de consumar...

A esta memória acrescentei ainda os vestigios de uma conversa de ontem sobre o: "teria sido melhor se tivesse um ombro...." O romantismo do ser humano faz-nos sempre querer companhia na esperança de realçar a beleza dos momentos que vivemos... Pura Ilusão... Não será que quando contemplamos sozinhos, a sensação é mais pura?! É sempre contaminada com o estado de espirito, espectativas, pensamentos, mas... Quando estamos com amigos as coisas parecem mais superficeis e engraçadas e quando estamos com um"A" pessoa está tudo lindo, os passarinhos cantam, Nirvana, Zen... Um dia, aquilo que sentimos sobre ess"A" pessoa muda e já não sabemos se todos esses "lugares" e "momentos" eram mesmos como os vislumbrámos, ou se teriam sido diferentes de outra forma... Depois não sabemos muito bem se os havemos de preservar (como alguém dizia: "Não te levo a lugares onde já tenha estado com outra pessoa!" Será isto possível?) ou se questionar o que vivemos e talvez "revisitar"...
Aqui faz sentido a ideia, já muito banalizada, de que não podemos conhecer a realidade em si, apenas a representação que fazemos dela... E essa representação pode mudar TANTO em circunstâncias diferentes...


Somos uns deturpadores com a necessidade constante de meter magia em tudo...


...Outra canção dessa noite me ficou no ouvido...

"MALDITO SEJAS!"

terça-feira, agosto 15, 2006

Azul, Verde, Azul...

Para baixo...
Azul difuso, sons aquosos da minha expiração, bolhinhas de ar a elevarem-se rapidamente até á superficie...

Para cima...
Verde, Azul...
Relva, pinheiros, a boia vermelha fazendo contráste na paisagem de verde intenso... Logo acima o céu azul sem nuvens ocupa o resto do quadro... Ouço o som da música de fundo da piscina.

Para cima, Para baixo... Inspira, Expira... Azul, Verde e Azul...

E neste compasso sinto-me transitar calmamente de uma dimensão aquosa para o ar, como se não existisse mais nada nem ninguém no mundo.. Só os sons e as cores...

Intemporal. Magnífico. Harmonioso.

quarta-feira, julho 26, 2006

Ideias súbitas…

Hoje, ao fim do dia, senti mais uma daquelas necessidades súbitas de fazer algo…
Não sei se foi de ter estado na praia a ouvir criancinhas a berrar e a desejar ter uma janela para as atirar dali para fora; se foi a raiva de ver certos pais a ceder quando deviam dizer não (talvez porque passam o resto do ano a trabalhar e não têm tempo para os filhos, portanto tentam compensá-los nas férias, fazendo tudo o que os meninos querem); ou talvez mesmo o facto de ter entrado pela primeira vez no jardim escola do meu irmão e ver a forma como certas “Educadoras” (ou mesmo auxiliares, não sei qual era o grau) lidavam com as crianças…

O ambiente onde a criança cresce tem uma influência crucial no desenvolvimento e na personalidade… Nada de novo! Pensem nas vezes em que tentaram perceber porque razão agem de determinada forma, por que razão são inseguros, confiantes, autoritários, arrogantes, condescendentes, influenciáveis… “Humm, os meus pais sempre disseram que eu não tinha jeito para nada, não era capaz de fazer nada… E Hoje não consigo tomar iniciativa, simplesmente deixo de tentar fazer as coisas!” ou então “Os meus pais sempre foram controladores, sempre quiseram saber todos os meus passos, o que fazia, o que deixava de fazer e porquê… Será por isso que me defendo dos outros isolando-me no meu mundo?!”, ou por outro lado, “Os meus pais sempre me deram a liberdade total nas minhas escolhas, mesmo quando eu precisava de uma orientação eles diziam que era eu que tinha que decidir… Sinto-me desorganizado e o meu mundo não é previsível…”… Porque a forma como os pais (quem diz pais diz outros cuidadores) lidam connosco, vai ser um determinante (ainda que não seja o único) muito importante em todo o desenvolvimento da nossa personalidade. Que responsabilidade, não!?


Eu acho que é um peso enorme trazer uma criança ao mundo e educá-la! Não concordo com o “É mais um, há-de se criar!”! “Criar” com comida e uma cama, talvez uns brinquedos?! Não me parece que isso chegue… É preciso muito mais do que isso para formar uma Pessoa!

Bom, se nem todos os pais têm a capacidade de dar mais do que isso, talvez a escola ajude um bocadinho… Devia, mas com o que vi hoje, juntando a todas as cenas que tenho visto “Educadores” e escolas fazerem, nem sei se essa será uma boa ajuda…

Hoje, quando fui buscar o meu irmão à escolinha já tinham acabado as actividades (por acaso ainda gostava de saber quais são, mas tenho que admitir que sou uma irmã um pouco ausente) e ele estava a brincar no pátio… Calçou-se, veio ter comigo, foi buscar a mochila e os lençóis para lavar, ao cabide dele (rotina muito bem interiorizada, não há duvida, muito autónomo) e eu disse “Diz xau, vamos embora!” (como manda a boa educação, claro). Ai, a “Educadora” senta-se num banco ao pé da porta e diz “O meu beijinho?! Não sais daqui sem me dar um beijinho!”! Primeiro, qual é a criança que gosta de dar beijinhos sempre que lhe pedem?! Depois… CHANTAGEM??? Da próxima (sim, porque basta uma vez, as crianças percebem logo como funciona) ele diz “Ou tu me dás o chocolate ou eu meto os dedos na ficha!”. Fiquei possessa! O que ensinam a estas pessoas lá nos cursos delas?! Ou melhor, será que tem curso mesmo?! Mais ainda… A dita senhora pega num panfleto e diz: “Já levaste este para tua casa?!” E aí o meu irmão dá-lhe um beijo, ao mesmo tempo que tira o papel das mãos dela! Ela desta vez não estava a chantagear, estava só a tentar captar a atenção, mas ele tomou a oferta dela como uma troca que ele tinha que fazer… Como eu disse… Basta uma vez…

E também basta os pais dizerem “sim” uma vez, nem que seja à vigésima vez que eles perguntam se podem, para eles perceberem que têm que insistir muito da próxima vez, até conseguirem o que querem…

Bom, eu tenho sempre aquela teoria das janelas porque detesto ouvir birras, detesto aturar os filhos dos outros quando os pais não sabem dizer que não (se bem que não posso negar que me dá gozo dobrá-los), mas no fundo, eu talvez queira tentar mudar a forma como os pais lidam com as crianças… E foi isso que me ocorreu hoje… Apesar da minha prima sempre me ter aconselhado a seguir uma via educacional ou pedagógica (“devias ir, tens jeito!”), a ideia de aturar serzinhos gritantes como forma de ganhar dinheiro sempre me causou um certo incómodo. Mas hoje cheguei a casa com vontade de ler Brazelton de novo… E por que raio a maioria das teorias sobre desenvolvimento infantil são de origem psicanalítica!? Estou farta do Freud, quero algo neutro… Encontro em Brazelton soluções muito práticas (não fosse ele americano), sem grandes bases teóricas (portanto, bastante neutro), que talvez sejam uma forma credível (se é que tal existe) de encarar a educação… Não quero com isso dizer que Educar se aprende nos livros, ou em cursos, mas talvez seja uma pequena ajuda e uma mais valia para a geração futura… Só de imaginar que quando for velhinha e estiver num lar, são estas coisas gritantes, embirrantes e mimadas que vão tomar conta de mim… Ou será que já acabaram com o mundo nesse tempo!?

Curioso… O meu outro grande post também falava em educação… Será que estou a negar que gosto de uma área que afinal me causa comichão intelectual e devo seguir por aí!? Será que eu gosto das coisinhas gritantes e quero ajudá-las no seu desenvolvimento enquanto Pessoas?! Oh não!!!!

Mas hoje sei que ajudar a crescer é uma coisa que quero fazer…

Será que vou ter tempo para tudo!?

segunda-feira, julho 24, 2006

"Ninguém disse que os dias eram nossos
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julgei que podia arrancar sempre,
mais uma madrugada.
E deixar-me devorar pelos sentidos,
E rasgar-me do mais fundo que ha em mim.
Emaranhar-me no mundo,
e morrer por ser preciso,
Nunca por chegar ao fim."
(Mafalda Veiga)

Hoje fui, pela primeira vez ao Castelo de S. Jorge.... Se a paixão por Lisboa já era grande, agora tornou-se arrebatadora! Cada pedra, cada canto, cada arco e escadarias, cada gárgula e fonte que me chamaram à atenção, ficarão agora comigo, como mais lugares que tornei meus ao longo desta jornada.

ADOREI TUDO!!!

Sinceramente, hoje não estou para escritas! Blá blá blá, beca beca beca beca... Palavras!

Quero apenas acrescentar que não seria tão especial se não fosse a companhia! :D Meninas e Meninos de CB, obrigada por me fazerem arrancar mais um dia!

Beijinhos e abraços!!!


sábado, julho 22, 2006


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)


Já não postava há uns tempos porque tinha que encontrar um denominador comum para um determinado dia e isso é complicado com as já referidas oscilações de humor. Hoje perguntei-me: Então, o que fica destes últimos dias!? O que têm eles em comum?!
Descobri mais coisas do que imaginava serem possíveis, mas a constante diária foste tu

E “Porque os outros têm medo, mas tu não…”; porque os outros vivem na superfície, mas tu não; porque os outros são transitórios, mas tu não; porque os outros são indiferentes, mas tu não; dedico-te hoje o post, com uma perspectiva de Sintra que decerto recordas. (Nesse dia as nuvens não estavam a raspar no castelo como tu gostas...)
Obrigada por deixares a luz sempre acesa…

Sim, na 2ª quero mais lugares e desta vez quero imortalizá-los!

Boa Noite afilhadito! ;)

sexta-feira, julho 14, 2006

Ensaio

Não vês a agonia a escorrer nas paredes
As portas não param de ranger
É como um corte que entra no tímpano
Não aguento o barulho de dentro
Já não estou só eu a ouvir...já anda nas ruas!
Já comentam por aí!
qualquer coisa não está bem...

Fala-se demasiado alto para quem está tão longe...
Mas não tinha que haver pedrada alguém levou por arrasto.
A luz continua presa ao tecto

Por mais que se tente tirar
Está alta demais
Ou encadeia os olhos
Ou queima quando se toca
Parece que sabe queimar
Parece que não tenho janelas
Não entra ar aqui
Não entra ar aqui
Tira a mão quente dos olhos
Tira o frio da frente
Já tenho tão pouca gente para me encontrar

Desata-me os olhos

Desata-me a cara
Desata o meu corpo dentro do teu
Tira-me a voz que puseste no tempo
Que não está a querer desistir
De pisar os membros no chão
De arrancar os braços no tecto

Tira-me de mim.

transforma o fraco em coisa forte porque tudo se renova...!

transforma o fraco em coisa forte porque tudo se renova...!
transforma o fraco em coisa forte porque tudo se renova...!
transforma o fraco em coisa forte porque tudo se renova...! ...

ai ai...
Cansada, mas valeu a pena... ai Tiago...
Momento orgásmico da noite com Ensaio e Chaga...
e tudo em grande companhia! :D

segunda-feira, julho 10, 2006


(Photo by me: Passos a Dois)

You never hear me talk about one day getting out
Why put a new address on the same old loneliness?
Everybody knows where that is
We built that house of his
And when he’s not home
Someone else you know always is
If Heaven’s really coming back
I hope it has a heart attack
When they see how dangerous it is for guys like that
The night has always known when it’s time to get going
When it’s really been so long that it starts showing
It’s always had that ghost who always almost
Tells me the Secret
How there’s really no difference in who he was once
And who he’s become
Everything you hated me for…
Honey there was so much more
I just didn’t get busted.
But I’m not looking for an easy way out
This whole life it’s been about
Try and try and try
And try and try and try
To be simple again.

(songs: ohia - just be simple)


There’s someone in me who definitively likes to suffer… Just for the pleasure of fell the pain, and think, in my own private abysm.

sábado, julho 08, 2006

Férias! =D

Finalmente… Estou de Férias!!!
Até custa acreditar…. Cheguei a casa e qualquer coisa me fez procurar as sebentas, os artigos, os apontamentos… Mas não, está tudo bem! Acho que é o hábito depois de ter passado o último mês e meio com a necessidade imperativa de “estudar”, constantemente a pulsar na minha mente.
E agora!? Sim, já tenho alguns dias preenchidos com aquelas coisas que não se podem fazer durante uma época de exames, mas.. É estranho estar sem nada, absolutamente nada para fazer… Nem apontamentos para organizar, nem artigos em atraso para ler, nem pesquisas para fazer, como acontece nas outras “férias” que vão aparecendo ao longo do ano. Acho que ainda me estou a habituar às noites sem estudo! :P É o dolce fare niente!
Ai ai.. Acho que vou vegetar!
Para quem ainda não está devidamente livre de obrigações profissionais… Aguentem! Meninas de 4ª feira: está a acabar!! =) Meninos que trabalham: só mais um bocadinho!! Meninos sem férias… Pronto, aproveitem os fins-de-semana, para o ano há-de ser melhor!
Beijocas a todos…


Ah, e não sei se já vos disse, mas… ESTOU DE FÉRIAS!!!!

quarta-feira, julho 05, 2006

Agora não é o último post que está desactualizado, acho-o até um texto intemporal, mas apeteceu-me deixar aqui os sentimentos dos últimos dias…

Digo sentimentos porque ainda não pensei bem no que se está a passar para poder operacionalizar os sentimentos a pensamentos. De qualquer forma também não quero pensar, prefiro sentir e não ser influenciada por conclusões tiradas à posteriori só porque alguém pode precisar de respostas…


Já não quero respostas, só quero viver e fazer o que me apetece. Pena que os outros precisem sempre de tudo muito oficial, de muitas certezas para poder agir… Não haverá disso agora. Sim, o passado, o passado… O Passado tão recente ainda está aqui presente (parece confuso, mas não é ;) ) mas não tomo isso como justificação. Acho que vou andar ao sabor da corrente, sem pensar nos rápidos, nas cascatas imprevistas ou nos lagos de águas estagnadas, a que possa chegar…

Preciso só do momento.


Isto é mais um desabafo de mim para mim, mas sei que algumas pessoas vão entender… Acusem-me de estar a ser fria e até percebo o ponto de vista, mas como pode uma pessoa ser apelidada de cubo de gelo quando só pede para sentir?! Como pode alguém ser injusto por não dar respostas, quando na realidade está a ser verdadeira consigo própria?!

Até parece que abri um armário mal arrumado e me caiu tudo por cima... Mas não quero arrumar nada, agora não. Talvez até descubra coisas que já nem sabia que tinha, ou mesmo coisas novas que alguém para lá meteu...

quinta-feira, junho 29, 2006

Lisboa

Releio superficialmente os últimos posts… Já tantas coisas me passaram pela cabeça entretanto, tantos sentimentos que já mudaram… Também não é de admirar, com a facilidade que tenho em mudar de humor. É incrível como uma música, um cheiro, um gesto, uma palavra, um ambiente, me conseguem mudar o estado de espírito e produzir consequências (nem sempre boas) disso… Instabilidade humoral ficará para um outro dia, com outro humor… Com um humor para variações humorais, talvez!

Os últimos dois dias trouxeram-me coisas que há muito precisava… Consegui sentir de novo aquele calor do Sol a aquecer o meu corpo, o mesmo calor que se poderia tornar incómodo noutras alturas. Precisava de me apaixonar pela vida e é isso que está a acontecer… Quais foram, desta vez, as variáveis responsáveis pela mudança?! Amigos de psi, e Lisboa…

Os primeiros têm aquela característica importante de me deixarem ser eu e de serem pessoas com quem eu me permito ser eu. É preciso ainda acrescentar algo?!

Lisboa… Aqui tão perto e só agora começo a descobrir-te… Perco-me nas tuas ruas estreitas, nos teus becos cheios de histórias, nas tuas gentes tão diversificadas e ao mesmo tempo tão tolerantes.
Antes ouvia as pessoas mais bairristas falar do apego à cidade e da incapacidade de estar longe, e nunca percebi como é que um simples lugar podia ser assim tão importante, porque afinal, existimos independentemente dele… Ou então não… Se calhar começo a descobrir o meu lugar… Se calhar o meu lugar é Lisboa.
Apesar de gostar muito do sítio onde vivo, não me identifico muito com ele… A prova disso é que uns dias em casa a estudar para exames dão origem a toda esta corrente de pensamentos e ideias estranhas que têm aparecido neste espaço. Volto a Lisboa e apaixono-me de novo! Os prédios antigos, os mais modernos, os alfacinhas de gema e os turistas, os afazeres do dia-a-dia e as animações de rua, as avenidas e as ruelas estreitas… Todos estes ambientes, que parecem tão contraditórios quando usamos as palavras, coexistem em equilíbrio e formam um todo harmonioso que me faz querer lá estar…
Não consigo bem, ainda, explicar o que é isto de Lisboa, mas de certo que existirão mais referências a este tema no futuro. Neste momento, só sei que me sinto bem e que me apetece viver e respirar o ar como se fosse a última vez e sentir a brisa suave nos meus cabelos e sentir o sol a aquecer-me e deslizar pelas ruas de Lisboa, sem pressas nem destino, sem amanhã nem ontem, só o eu e o agora!

E as palavras faltam-me para poder descrever os quão importantes foram as pessoas e os lugares destes dias… fico-me pelos sentimentos… Boa Noite!

segunda-feira, junho 26, 2006

FREEEDDOOOOOMMMMMM!!!!
www.deep-focus.com/ flicker/stigmata.html)

"I'll spit on floors
Get drunk on love
Wear next to nothing
In the pouring rain
Be a bad example
And do it all again!"

(Chumbawamba - Mary, Mary – from Stigmata)

Just need to feel Free!

************************
E viva o livre-arbitrio!
Grrrrr tou “possessa”!!!

sexta-feira, junho 23, 2006

Tempo para "Ser"
Ontem o meu caminho emaranhou-se. Não apenas se bifurcou em duas estradas largas e bem pavimentadas mas os trilhos misturaram-se, mostrando carreiros mal definidos e outros meio obstruídos. Tive aquela sensação de estar sozinha no meio da multidão, por mais ninguém poder acompanhar os meus pensamentos.
E nisto ela canta…

Só hoje senti
que o rumo a seguir
levava pra longe
senti que este chão
já não tinha espaço
pra tudo o que foge
não sei o motivo pra ir
só sei que não posso ficar
não sei o que vem a seguir
mas quero procurar

e hoje deixei
de tentar erguer
os planos de sempre
aqueles que são
pra outro amanhã
que há-de ser diferente
não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu

um pouco de céu

só hoje esperei
já sem desespero
que a noite caísse
nenhuma palavra
foi hoje diferente
do que já se disse
e há qualquer coisa a nascer
bem dentro no fundo de mim
e há uma força a vencer
qualquer outro fim

não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu
um pouco de céu


(Mafalda Veiga, Um Pouco de Céu)

… E a vontade de partir à procura tomou, de novo, lugar em mim.E por que razão não fugimos nós e viajamos de cada vez a urgência de nos conhecemos e de obter respostas, nos assalta?! Uma das razões… Compromissos com a realidade. E por isso hoje, e face às numerosas queixas de “falta de tempo”, apetece-me falar das responsabilidades e tempos livres.

Uns entram para a escola com poucos meses de idade e outros começam apenas no 1º ciclo do ensino básico. Com maior ou menor investimento, tanto os jardins-escola como a escola “Primária”, oferecem às crianças actividades muito variadas e que apelam à criatividade. Eles desenham, pintam, fazem peças de teatro, cantam e ainda têm tempo para brincar sem lhes ser imposto um tema.

Quando chegam ao segundo ciclo, a coisa mais parecido que têm com isso é Educação musical e EVT (onde tudo está muito mais virado para a geometria, de carácter mais objectivo). No meu tempo ficava-se por aqui, agora parece que há umas quantas disciplinas novas que não sei de apelam muito a conhecimentos não-verbais. Mas lembro-me de voltar para casa frustrada por só me impingirem matéria e me dizerem o que fazer, e sempre que podia aproveitava para pintar, desenhar, fazer peças em barro e já não me lembro o que mais.

Pois, mas nessa altura havia tempo. Chega-se ao 12º com uma formação baseada em programas extensíssimos, que nunca são acabados, e com matérias estudadas para os testes e rapidamente esquecidas. Tudo isto tendo em conta que deixam de dar espaço para criar. Isso explica por que razão a maioria das baterias de testes de inteligência só medem atributos verbais, numéricos, visuo-espaciais, ou seja, apenas condutas cognitivas, deixando factores como a criatividade, de fora. Será que podemos dizer que o Joãozinho, com o seu QI de 70, é atrasadinho, só porque não tem jeito para português e matemática, quando na realidade tem um dom para o desenho ou para a pintura, ou constrói os seus próprios brinquedos, protótipos elaborados?!


Isto para dizer que a escola, não só nos bombardeia com material objectivo e tão sem aplicação que é esquecido e nem para cultura geral serve, como nos ocupa o tempo que poderíamos gastar sendo criativos, ou simplesmente fazendo coisas que nos são agradáveis (passear, estar com amigos, fazer desporto), coisas que contribuem para a nossa definição enquanto pessoas. Já repararam que as crianças passam cada vez mais tempo na escola? E tendo em conta a qualidade dos curricula que oferece, onde está o espaço para o desenvolvimento pessoal?

Bom, já me estou a dispersar do tema principal, o Tempo (ou a falta dele). Depois da escola, trabalho ou faculdade. Vou falar da faculdade. Normalmente tem horários flexíveis, mas e os trabalhos? Os apontamentos? O estudo? Com certeza vão ocupar as horas extra-curriculares. Nesta altura pensamos: “Que bom que era estar a trabalhar! Assim quando acabasse o dia de trabalho já não tinha mais nada para fazer e tinha sempre os fins-de-semana!”.

Pois, é verdade que normalmente não se traz trabalho para casa, mas passar dum horário de faculdade para um “nine to five job” (ou pior), muitas vezes longe de casa, o que implica horas perdidas em cansativos transportes públicos, ou no trânsito, não é fácil. Muitas vezes já se chega a casa tão cansado que não há disposição para fazer grande coisa. Então e os fins-de-semana?! Esses tornam-se nos dias de compensação em que se tenta fazer tudo o que não se conseguiu fazer durante a semana e nem sempre isso corresponde ao que realmente QUEREMOS fazer.

Mais tarde, as pessoas casam e têm filhos… É vê-los chegar a casa, dar banhos, fazer jantares, tentar brincar um pouco, mas “Oh não! Já é tão tarde e amanhã temos que acordar ás 6h da manhã para ir pôr os miúdos à escola e ir para o trabalho!”. :/

Os filhos saem de casa, os pais reformam-se. Agora sim, velhos e cansados temos tempo livre.. E entram em colapso! Tudo aquilo que sempre fizeram na vida foi trabalhar e agora?! O que fiz eu na vida? Estudei, trabalhei, tratei da família. Quem sou eu afinal?!

Quem seria eu sem a pintura, a fotografia, sem este espaço criado por mim para pensar, sem todas as coisas que gosto de fazer?!

Parece haver uma tendência para a estandardização, como se o sistema quisesse criar máquinas que consigam DECORAR os reis de todas as dinastias e as tabuadas. Parece que as actividades que nos tornam Pessoas, não cabem neste sistema.




Quero ter tempo para ser EU!!!

quarta-feira, junho 21, 2006


Já andava há algum tempo sem click’s musicais mas parece que as grandes bandas voltaram em massa! A desvantagem é que com tantas músicas ao mesmo tempo, acaba por não se dar a devida atenção a cada uma delas! No entanto há sempre aquela canção que sobressai logo da primeira vez que ouvimos um álbum… A que nos faz usar o repeat, e dar-lhe prioridade em relação às outras! Hoje estou muito Keane (já que não ouvi o Somewhere only we know do SBSR, ou pelo menos não me lembro de ter ouvido, uma vez que já dormia :P Sorry Zé), e trago a música que se destacou no Under The Iron Sea:

I don't wanna be adored
Don't wanna be first in line
Or make myself heard
I'd like to bring a little light
To shine a light on your life
To make you feel loved

No, don't wanna be the only one you know
I wanna be the place you call home

I lay myself down
To make it so, but you don't want to know
I give much more
Than I'd ever ask for

Will you see me in the end
Or is it just a waste of time
Trying to be your friend
Just shine, shine, shine
Shine a little light
Shine a light on my life
Warm me up again

Fool, I wonder if you know yourself at all
You know that it could be so simple

I lay myself down
To make it so, but you don't want to know
You take much more
Than I'd ever ask for

Say a word or two to brighten my day
Do you think that you could see your way

To lay yourself down
And make it so, but you don't want to know
You take much more
Than I'd ever ask for

Hamburg Song – Keane


Ainda um bocadinho na linha do feeling aqui retratado pela Lioness, mas sem dúvida menos ”Gore” e “Bloody”, não é Coisinha Abissal?! =) Para todos e para ninguém….
A verdade é que basta um sorriso ou “uma palavra ou duas” para dar luz e aquecer o dia! =) Que mais pedir ao mundo em troca de tudo?! É tão bom conseguir acender um archote no caminho dos outros (e por vezes tão difícil) que pedir sorrisos e palavras em troca já é ser egoísta! But, I’m human e altruísmo não existe.

E chega de procastinação, vou mas é estudar Freud! É verdade… Até custa a admitir tal é a revolta por estar a perder tempo com isto! As tretas que nos fazem assimilar! Vai dar boas broas, tenho a certeza =)

Beijinhos e abraços =)

terça-feira, junho 20, 2006

Há muitos anos que não cultivava o hábito de confiar os meus dias a um diário, mas parece que este blog se transformou num diário de bordo das minhas viagens… Chego a casa, sento-me ao PC e parece que faço um balanço automático do meu dia. Lembro-me das músicas que me contaminaram o pensamento e que não parei de cantar, lembro-me do que senti ou sinto no momento presente, lembro-me de pessoas que figuraram nas horas passadas e foram significativas… Lembro-me e tenho vontade de escrever, de fotografar, de cantar, de pintar, de me exprimir de qualquer forma possível.

Hoje, depois de mais um exame, fui passear… Amigos, pessoas com quem já não falava de outra coisa sem ser trabalhos e exames há muito tempo… Decidimos ir passear, meio sem destino, só pelo prazer de estarmos juntos outra vez, como se não houvesse um amanhã com artigos, exames, clausura.

Meio a brincar, meio a sério, entramos no elevador de Sta Justa, onde quase ninguém tinha ainda estado, por incrível que pareça… Lembrei-me das primeiras vezes que ali passei e de me perguntar o que estaria lá em cima… Hoje fui desvendar o mistério! E quem disse que as coisas, depois de mistério desvendado, perdem o interesse!? Simplesmente ganhou outro significado… O lugar ficou tatuado em mim porque agora contém as gargalhadas enquanto o elevador subia, o espanto quando as portas se abriram para um plano alargado da cidade de Lisboa, o espanto ainda maior quando subimos mais um patamar pelas escadinhas em caracol e o medo quando o ultimo lanço de escadas foi atingido e parecia que qualquer brisa nos iria derrubar.

Descidos dois patamares lá estava ele… Convento do Carmo… Imponente e magnífico, passou-me despercebido durante anos, para passar a ocupar a minha mente numa perseguição obsessiva. Não entrámos, mas eu lembrei-me… Já não faz sentido agora… Como seria se tivesse entrado, teria perdido a magia?! Num post antigo fui acusada de me agarrar a momentos mágicos para me proteger… Se lá tivesse estado hoje, convosco meus amigos, teria deixado de ser mágico?! Não creio. A ideia de ter desejado lá ir noutras circunstâncias desaparecia e com ela, essa magia, mas outra ocuparia o seu lugar. De qualquer forma, continuo a querer a outra das duas companhias que desejei ter na minha primeira entrada no Convento do Carmo: uma câmara fotográfica! Assim poderia captar o momento tal como o sentia: com o espanto do primeiro olhar!

E já vou longa nesta dissertação, mas realmente, hoje foi um dia mais especial do que alguns outros. Hoje foi dia de matar saudades daquelas pessoas com quem estamos diariamente, mas com quem afinal não “estamos”. Foi dia de mais lugares se tornarem meus, lugares que nós vamos saber de cor (se alguém ficar com Alzheimer, têm o BUC para comprovar este dia). =)
Até à próxima viagem ;)

domingo, junho 18, 2006


Voltei de um fim-de-semana de abstinência intelectual, de galos como despertador, de improvisos rurais, de uma cúpula nocturna estrelada como nunca antes tinha visto, gritarias e gargalhadas, piscina e fotografia! Óptimo para as ideias irem migrando progressivamente para o seu lugar e para conclusões emergirem como um click súbito do óbvio...
Volto a casa e tudo o resto mantém-se indiferente, apesar do meu novo humor, das minhas novas descobertas, da alegria de uns dias de energias recarregadas. Parece que nós evoluímos e o mundo não... Bom, ou então simplesmente há pessoas que nasceram com a vontade permanente de derrubar os outros...
Risco os dias do calendário, ainda me faltam umas semanas de clausura, mas agora com outro alento (pelo menos, assim o espero). Estou cansada, mas é aquele cansaço bom... Doem as pernas de passear e nadar, o sono chama por não ter sido atendido enquanto coisas mais interessantes se faziam... Dias cheios é o que importa! =)
Vou à caminha.. Boa Noite Mundo!

segunda-feira, junho 12, 2006

Now you’re a star in heaven…”













Novo, novidade… uma palavra para descrever os últimos meses? Seria Novidade… Descobri em mim alguém que não conhecia, descobri que sabia dar, que não precisava de joguinhos para me proteger, nem de birras para comunicar… Aprendi coisas novas, conheci lugares que vão ficar para sempre comigo… E é tudo isto que ficou que me causa agora isto que não é bem tudo nem coisa nenhuma… Ficaram os símbolos… Estão por todo o lado… Quero fugir por uns tempos e esquecer mas sei que o caminho é apenas integrar a Novidade...

ACASO


Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho,
pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho,
mas não vai só nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas

não se encontram ao acaso.

(
Antoine de Saint-Exupéry)


Sem dúvida que ficou muito...

Quase me assusta descobrir que foi este sabor, que a vida inteira procurei entre a paixão e a dor”… foi a parte que nunca cheguei a cantar e é o que mais faz sentido agora… Se ganhei alguma coisa foi esta capacidade, totalmente nova, de dar e amar e é por isso que não consigo ter raiva, e ainda compreendo …

Eu disse-o antes e nada mudou…
Want my hear to break if it must break in your jaws”... Done.

Obrigada por tudo!

(Foto de José Manuel Silva)

sábado, junho 10, 2006

Hoje não haverá foto... não que não tenha umas quantas por aí que até ficavam bem com um poemazito, uma dissertação ou uma canção, mas a única foto que poderia mostrar agora ainda não está feita... falta de meios, de material, de tempo... O meu tempo tem sido ocupado com leituras e releituras de coisas que não acho importantes mas que tenho que fazer de qualquer modo...
A foto, que continua na minha mente, foi accionada por uma cascata de sentimentos vividos há cerca de uma semana e têm a sua expressão verbal numa música que canta assim:
"Want my last look to be the moon in your eyes...
Want my heart to break if it must break in your jaws..."
(Lioness, Song: Ohia)
Claro que uma imagem iria conseguir expressar muito melhor o estado "Nirvanico" do momento...
Apesar de já estar um pouco digerido, alguma coisa ficou daquela ternura súbita e urgente. Agora rebusco esse sentimento para me esquecer deste cansaço, desta sensação de solidão... Todos estão virados para si a estudar (e os que não o fazem estão a divertir-se) e é como se estivesse num mundo à parte em que embora fale com as pessoas apenas as posso tocar superficialmente com as palavras... Irrito-me com facilidade e não permito a proximidade... Paradoxo? Wellcome to my journey!
Dias melhores virão...

segunda-feira, maio 01, 2006


Uma frase pairou na minha mente durante todo o dia… Como um batuque no vácuo… “Não durmo nem espero dormir”… E concentrava-me nos pássaros a piar, na música do carro parado na estrada, nas palavras do artigo que lia… Voltava a ouvir: “não durmo nem espero dormir”… E como aquela canção, a última canção que se ouve antes de desligar o rádio, a canção que toca na barraquinha de bugigangas, a canção do anúncio na TV, como todas as canções de onde apreendemos apenas umas palavras, mas o suficiente para passar o resto do dia a cantá-la compulsivamente até nos fartar-mos de nós próprios… Como essas canções, eu passei o dia a lembrar-me: “não durmo nem espero dormir”… E tal como nas canções, em que só paramos de cantarolar aquele pedacinho, quando se ouve a música na integra e se aprende a letra, eu tive que procurar a origem destas palavras… Sabia que era uma poema de Pessoa, mas Hortónimo, Álvaro de Campos, Bernardo Soares, Caeiro… Não me lembrava… Tentava pronunciar mentalmente a frase até chegar às palavras que vinham depois… A principio nada… Mais tarde, e depois de repetir até já os termos não fazerem sentido, ocorreu-me.. “Pois não há sono no mundo.”! Não, mil vezes não! Esse é outro poema… “Não dormes sobre os ciprestes, pois não há sono no mundo.”. Mas encontrei, e agora posso aprender todo o poema… E posso tentar extrair uma mensagem… E posso parar de me lembrar insistentemente “Não durmo nem espero dormir.”. Certas pessoas dirão que não é por acaso, é porque o poema tem uma lição para mim… Eu acho que a mente humana tem manias estranhas, ou as canções também não são ao acaso?! Bom, se calhar nada é ao acaso e somos todos peões de alguém… Nesse caso suicidem-se porque a vida não faz sentido se não é nossa!
Aqui fica o texto…




Insónia


Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.

Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;

Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.

Estou escrevendo versos realmente simpáticos —
Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos, versos...
Tantos versos...
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!

Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstração de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência, Salvo — sei lá salvo o quê...

Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo exceto no poder dormir!

Ó madrugada, tardas tanto... Vem...
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta...
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.

Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
Vem, madrugada, chega!

Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada...
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.
Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.

Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exactamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exactamente. Mas não durmo.

Álvaro de Campos

segunda-feira, abril 24, 2006

Não fui à praia, não me esponjei na areia, não dei gargalhadas sonoras (nem estou com vontade de o fazer), mas andei de baloiço... E por momentos, ao sentir o meu corpo cortar o ar, pensei que podia haver esperança. Assim que toquei com os pés no chão, tudo isso se desvaneceu.... Deve ser por essa razão que se fala em "ter os pés bem assentes na terra" quando nos queremos queferir à dura realidade...
Não é Nada... Disse-o hoje... NADA... simplesmente porque não tenho palavras para o explicar...
(A foto foi tirada pelo meu avô durante um fim-de-semana de avós e neta.)


sexta-feira, abril 21, 2006



Chuva, vento, nuvens cinzentonas…
Não sou de me queixar do tempo, até porque acho que os dias somos nós que os fazemos, e se queremos andar sorridentes e aos pulinhos num dia de Inverno, apesar de isso ser humor de Primavera, porque não!? Também não gosto muito de falar do tempo quando não tenho nada para dizer… Porque será que certas pessoas acham o silêncio um peso?
Bem, mas hoje vou reclamar, e contesto os dias de férias com trabalhos para fazer, e indigno-me perante as sombras cinzentas que vejo ao olhar, de quando em vez, pela janela! No fundo o que apetecia mesmo era correr pela praia, tropeçar na areia, cair e levantar-me com uma gargalhada, molhar os pés nas ondas de espuma branca e sentir a água a gelar-me os ossos, deitar-me na areia se sentir o sol aquecer suavemente a minha pele… E ficar assim, sem pensar em nada, ou a pensar em ti, mas sobretudo não ter aquela sensação constante de ter alguma coisa por fazer e sentir-me livre, por instantes.
A Primavera devia ser época de Sol, de nuvens de desenhos animados, brancas e fofinhas, de passarinhos a cantar e campos floridos, devia ser altura de sorrisos e abraços, de gargalhadas espontâneas e saltos de euforia, mas parece que anda tudo cabisbaixo à espera de melhores dias…
Considero-me feliz por já ter tido a minha Primavera em pleno Inverno, mesmo com dias frios e chuvosos, com camisolas grossas, casacos e guarda-chuvas, com pés molhados e corridas para abrigar da chuva. Assim, sei que somos nós que fazemos os nossos dias, portanto alegrem-se, porque não é só uma andorinha que faz a Primavera!

Boa Viagem ;)

quinta-feira, abril 20, 2006


Who Wants To Live Forever


by Queen

There’s no time for us
There’s no place for us
What is this thing that feels our dreams
yet slips away from us
Who wants to live forever…?
Who wants to live forever....?
Ohhh…
There’s no chance for us
It’s all decided for us
This world has only one sweet moment
set aside for us
Who wants to live forever?
Who dares to love forever?
Ohhh….
Oh Yeah, oh yeah
Who wants to live forever?
When love must die
So touch my tears
with your lips
Touch my world
with your fingertips
And we can have forever
And we can love forever
Forever is our today
Who wants to live forever
Who wants to live forever?
Forever is our today
Who waits forever anyway?

Porque esta é a música que descreve o dia...

Ao longo da vida seguimos um caminho que pode ser mais simples ou mais árduo, consoante as nossas escolhas e os frutos que queremos colher... Ao longo desta jornada vamos tendo encontros, connosco, com o mundo, e destes encontros resultam histórias que podem ser contadas com imagens e algumas palavras. Neste espaço pretendo partilhar alguns passos desta jornada, por vezes mais mental do que física. Conto com a fotografia para me ajudar na expressão do que não cabe nas palavras. Trago na mochila uma câmara, olhar atento e mente aberta ás aventuras da vida! Quem aqui passa, passa no meu caminho, por isso é convidado a deixar uma marca... Sejam bem-vindos!