Ouço a coruja no pinhal lá fora, companheira de tantas noites de escrita e decadência. Mas não hoje. Sempre renovadora, a escuridão traz um melhor fado desta vez. Voltar a ver-te, a ouvir a tua voz, a esconder-me na curva do teu pescoço.
Já disse aqui que todos os sentimentos místicos implicam a anulação do
eu. Quem me conhece sabe que faço os possíveis e impossíveis para manter a minha individualidade em todas as situações. Então de onde vem este paradoxo da minha existência não fazer sentido sem ti? Admiti. Pronto. Pára de me torturar, consciência severa!
O par tem três partes como dizia a Satir:
eu,
tu e
nós. E se há momentos em que o
nós prevalece, porque não? Desde que as outras partes continuem a fazer crescer o
eu e o
tu!
Já me justifiquei o suficiente… A verdade, a essência daquilo que eu sinto, é que o
eu que construí precisa daquele nível de partilha que conseguimos atingir. Precisa das noites de quarto minguante e pores-de-sol com banda sonora privilegiada. As minhas ideias estão fragmentas por falta de quem as complete. Afinal, não tínhamos já descoberto há muito tempo atrás que edificámos uma “mente sistémica”?!
E os medos?! De não ser capaz, de me prender, de cair no ridículo… Também eles me estão a abandonar a poder de uma força maior. Esta é uma batalha que enfrento todos os dias, e cada segundo vale a pena.
E um ano mais tarde. Muitos anos mais tarde. Cá estamos nós de novo.
Nunca mais é amanhã.

Cx/' *